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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Sou cheio de "não me toques"

Algumas pessoas simplesmente não entendem a diferença entre "estou sendo simpático com você" e "estou te dando liberdade". É incrível como isso acontece com frequência comigo. Sou simpático com todo mundo, mas, não dou liberdade para qualquer um ~quando falo qualquer um não me refiro pejorativamente as pessoas que me cercam~ e, não compartilho minha vida íntima com facilidade.

Vou dar um exemplo de algo que tem acontecido e que me incomoda muito:

Tenho um colega que está sempre perto de mim. Não somos íntimos, embora ele conheça muito da minha vida, há uma barreira entre eu e ele que, não nos permite ter certas "liberdades" um com o outro. Não dei liberdade para ele me tratar como se fossemos amigos de infância. Temos um convívio, mas, nada fora do padrão "sua liberdade começa onde termina a minha". Ontem fizemos algumas brincadeiras. Eu respondi a altura. Brinquei, sorri, me diverti, mas, em um determinado momento as brincadeiras começaram a ser ofensivas. Não gosto disso, não faço e nem quero que façam comigo.

Minha tendência natural é ser chato e cheio de "não me toques". Sou assim, fui criado assim, e, embora não seja Gabriela, quero ser sempre assim. É o meu jeito, minha forma de me defender. Se/quando dou liberdade é no memoento que me sinto seguro e confio na pessoa, caso contrário, me mantenho na defensiva e, se preciso for, sou grosseiro para me defender.

Na situação que mensionei ainda estou na fase de relevar. Não sei até quando isso vai durar, pois, sou bem sincero em admitir que já não estou mais tolerando tanta falta de respeito. Assim que tudo estiver resolvido te conto o desfecho da história.



terça-feira, 21 de maio de 2013

Eu, um refúgio

Acho estranho quando me chamam de Luiz. Para mim é incomum pois, desde muito pequeno sempre fui chamado de Guilherme. Salvo quando a D. Helena está brava é claro, aí ela brada em muitos decibéis: LUIZ GUILHERME!!!! Há também em minha lembrança uma tia e algumas professoras que me chamam de Luiz.

Luiz significa: Lutador;
Guilherme significa: Protetor.
É assim que me sinto, um lutador com a missão de proteger quem está ao meu redor.

Hoje a tarde fiquei pensando sobre esse traço da minha personalidade. Se eu pudesse, traria todos para morar comigo e proveria condições de subsistência mas, não é possível e, claro, nem todos se sentiriam à vontade de conviver comigo.

Em minhas reflexões concluí que sou uma pessoa completa quando estou em uma posição onde posso demonstrar essa minha qualidade. Faço de tudo para cercar as pessoas de cuidados e, ao meu modo, demonstro que gosto através de pequenos cuidados. Há quem não me compreenda mas, há também os que entendem que essa é minha forma de dizer: EU TE AMO!

Aliás, digo "eu te amo" quando realmente sinto isso mas, tenho tanto amor dentro de mim que não demoro muito para me afeiçoar as pessoas. Acredito nas pessoas, amo as pessoas, me dou para pessoas. Acho que se eu fosse eu e mandasse em mim, abriria um grande abrigo e ~me tornarei repetitivo~ levaria todos para morar lá.

Por que dei esse título a essa crônica?
Porque é assim que eu me sinto, como um refúgio para quem precisa.
Um refúgio para os fugitivos. Aqueles que querem fugir de sua realidade, sabe?
Sinto que tenho algo a oferecer a essas pessoas.
Empatia?
Sim, é empatia.
Não sou a perfeição em pessoa, estou aquém disso mas, o mundo seria totalmente diferente se houvesse uma dose de empatia em cada um de nós.

Há refúgio em meu coração.
Algum fugitivo por aí?

sábado, 18 de maio de 2013

Sou bege

Sempre fui quieto, na minha. Herança do meu pai que também é assim. Mas, engana-se quem pensa que eu não sou capaz de manter um diálogo caloroso. Sou sim. Sempre que me sinto à vontade, mostro-me comunicativo e bom de papo. Se domino o assunto, pode ter certeza que conversaremos por horas se preciso for. Se eu não domino, ouço com atenção e tomo notas mentais para posteriormente pesquisar e assim construir minhas opiniões.

E por falar em construir opiniões, preciso reconhecer, quando tenho uma opinião formada, custo a mudar de ideia. Não que eu não me abra para o novo, longe disso, sempre estou disponível para novas possibilidades e mais, gosto do que é novo, isso me estimula, me instiga, me impulsiona. Mas, sou de opiniões próprias e convicções idem. E isso não é de hoje, vem desde que eu "me conheço por gente".

Quando ingressei na pré escola ~em 1991 era assim que chamava a Educação Infantil~ comecei a mostrar para o mundo que eu tinha minha forma de pensar e isso era tão latente que acabava atraindo a atenção das pessoas, me fazendo por vezes ser o centro das atenções, o que me constrangia mas, defendia meu ponto de vista e assim ganhava amigos ou inimigos ~quase sempre amigos~.

Uma lembrança recorrente desse tempo era a forma que eu era tratado por meus colegas de classe. Todos os dias eu chegava em casa chorando pois, sempre me chamavam de "neguinho", "chocolate", "marronzinho". Eu odiava isso ~calma, não falarei de bullying, pelo menos não nessa crônica~ protestava, brigava, tentava argumentar mas, não tinha conversa, era assim que meus colegas me viam e era assim que eu era chamado por quase todos.

Um dia, conta a minha mãe, Dona Helena, que eu cheguei em casa e não chorei. Isso era incomum, haja vista eu era todos os dias alvejado pelos apelidos referindo-se ao tom da minha pele.  Não chorei e nunca mais chorei ou me lamentei pelo meu tom de pele negra. Fiz uma descoberta em uma aula de Artes que mudou minha vida completamente.

Foi assim:

Dona Helena: - O que foi Guilherme? O que aconteceu que não está chorando hoje?

Guilherme: - Eu descobri uma coisa mãe. Descobri que eu não sou "pieto" nem "bianco", sou bege!

Essa frase foi motivo de risadas e muitos comentários. Minha mãe contou isso para todos. E, é claro, muitos passaram a me chamar de "Bege".
Hoje me lembro desse fato e sorrio.
Como pude ser tão criativo?
Me recusava a ser "pieto" mas, sabia que eu não era "bianco" então criei uma terceira e original opção, me defini como "bege".